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quinta-feira, 31 de março de 2011

NA FILA DA LIBERDADE

Recados para Orkut                                                                                                              É interessante notar as diferenças em filas, de um lugar para o outroEm Florianópolis, por 
exemplotanto nas filas de banco como de supermercado, as pessoas ficam conversando, com calma, esperando. Mesmo no Rio de Janeiro, enfrenta-se uma fila com mais humor.
Em São Paulo, a fila é uma tortura. A fila é triste e interminável. Parece que, se fosse possível, a gente mataria aqueles quatro ou cinco que estão na nossa frente. E, se alguém conversa com alguém, oassunto é a própria fila. Uns chegam a dizer palavras chulas. Xingam, como se a culpa fosse da pobre mocinha que está do outro lado da filamuito mais aflita que os filenses.
Pois foi numa dessas filas que o fato se deu.
Era uma bela fila, de umas dez pessoas. E em supermercadocom aqueles carrinhos lotados, a gente ali olhando a mocinha tirar latinha por latinha, rolo por rolo de papel higiênico, aquela coisa que não tem fimmesmo. E naquela fila tinha um garotinho de uns dez anosque existe apenas uma palavra para definir a figurinhaum pentelho. Como muito bem define o Houaiss: “pessoa que exaspera com sua presençaqueimportuna, que não dá paz aos outros”.
Pois ali estava o pentelhinho no auge de sua pentelhação. Quanto mais demorava, mais ele se aprimorava. E a mãe, ao ladoimpassível. Chegou uma hora que o garoto começou a mexer nas comprasdos outrosTirar leite condensado de um carrinho e colocar no outro. Gritava, ria, dava piruetasEra o reizinho da fila. E a mãenão era com ela.
Na fila ao  lado (aquela de velhosdeficientes e grávidas), tinha um casal de velhinhos. Mas velhinhos mesmo, de mãos dadas. Alipelo oitenta anos. A velhinha, não aguentando mais a situação, resolveutomar as dores de todos e foi falar com a mãeQue ela desse um jeito no garotoque ela tomasse uma providência. No que a mãe, de alto e bom tom:
-        Educo meu filho assimminha senhoraCom liberdadesem repressãoMeu filho é livre e feliz. É assim que se deve educar as crianças hoje em dia.
A velhinha ainda ameaçou dizer alguma coisamas se sentiu antiga, ultrapassada. Voltou para a sua fila que não encontrou o seu maridoque havia sumido.
Não demorou muito e voltou o marido com um galão de água de cinco litros e, calmamente se aproximou da mãe do pentelho, abriu e entornou tudo na cabeça da mulher.
-        que é issomeu senhor?
O velhinho colocou o vasilhame (que palavra antiga) no seu carrinho e enquanto a mulher esbravejava e o pentelho morria de rir, disse bem alto:
-        Também fui educado com liberdade!!!

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